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Quando Deus tem outros planos - Pr. Thomas Tronco


Um seminarista norte-americano pretendia servir a Deus durante seu período de férias e vinha orando muito por isso. Seu desejo era que fosse um tempo abençoado em alguma igreja da região. Porém, enquanto seus colegas eram convidados por várias igrejas para ministérios de férias, ele foi sistematicamente preterido. Chegadas as férias, sem compreender a razão de Deus não ter atendido sua oração, ele conseguiu um emprego de motorista de ônibus para pagar suas contas. Sua primeira experiência foi uma gangue entrar no ônibus sem pagar. Depois de os bandidos fazerem isso alguns dias seguidos, o seminarista parou diante de um policial e relatou o caso. O policial os fez pagar a passagem, mas, assim que ele desceu, a gangue atacou o seminarista e o machucou muito.

O rapaz ficou perplexo com o rumo do seu período de férias, sem entender a razão de Deus não atender sua oração. Depois de se recuperar, ele fez uma queixa na delegacia e os criminosos foram presos. Quando estavam diante de um juiz, o seminarista, magoado e desanimado até então, lembrou-se do amor de Jesus pelos pecadores e pediu ao juiz para que pudesse receber a punição do crime no lugar dos bandidos. O juiz, obviamente, não fez isso, mas permitiu que ele visitasse a gangue na prisão, a quem ele pregou o evangelho. Eles creram em Jesus como salvador e o seminarista começou um abençoado ministério naquela carceragem.

Eu me lembro dessa história quando, de algum modo, vejo os desejos humanos sucumbirem diante dos planos soberanos de Deus. Esse jovem planejava servir ao Senhor em meio aos desafios de uma igreja, mas Deus tinha outros planos pra ele.

Houve outro jovem que passou por algo semelhante. Em Marcos 5, é dito que Jesus foi à terra dos gerasenos e encontrou um rapaz possesso de demônios. Jesus o libertou definitivamente daquele fardo. Movido por tal milagre, o jovem teve o desejo de servir a Jesus, seguindo-o aonde fosse, de modo que, “ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele” (v.18). Imagine quantas coisas boas esse geraseno poderia fazer. Em primeiro lugar, seria um daqueles que faziam parte do grupo dos discípulos mais próximos do Senhor. Ele também poderia ser um testemunho vivo, ao lado de Jesus, contando sua história e apresentando-se como um exemplo do que Jesus podia fazer e de quem ele de fato era. O rapaz, em sua alegria e ânimo, teve os melhores desejos de servir seu libertador.

Surpreendentemente, Jesus não deixou que o rapaz o seguisse em sua viagem. Ainda que ele tenha pedido, o texto bíblico diz que “Jesus, porém, não lhe permitiu” (v.19a). Deve ter sido um choque para o rapaz, não apenas pela negativa de Jesus, mas pela sua provável frustração de ver seu propósito e seus planos impedidos. Contudo, não se tratava de uma rejeição por parte de Jesus, mas do remanejamento do servo para os propósitos que o Senhor tinha para ele. Jesus, assim, “ordenou-lhe: ‘Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti’” (v.19). Jesus pretendia que o jovem recém-liberto se envolvesse no anúncio da sua mensagem, mas não segundo seus planos e sim os divinos. Seus planos para ele eram outros.

Nesse ponto, muitas pessoas costumam desanimar. Acham que, se seus planos foram preteridos, significa que eles não têm valor como as outras pessoas que ele conhece. Ou, então, sentem-se ofendidos e não se propõem a fazer mais nada. Alguns passam até mesmo a atrapalhar o trabalho dos outros em uma forma infantil de vingança, ou em uma busca desonesta para provar que seus planos eram melhores. Mas não foi nada disso que aconteceu com o jovem geraseno. Em vez disso, “ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam” (v.20). Esse rapaz não se sentiu ofendido por ouvir “não” ao seu pedido, nem diminuído por não poder fazer parte do grupo próximo de Jesus, nem tampouco desanimado por descobrir que seu plano para si e para seu serviço a Deus não era o melhor. Ele obedeceu às orientações do Senhor e, pelo jeito, fez seu melhor, fazendo diferença suficiente a ponto de admirar seus ouvintes.

Isso deve nos fazer refletir acerca dos nossos próprios propósitos e do modo como Deus tem aproveitado ou não os nossos planos. Sem precisar acrescentar mais nada no sentido de identificar a questão em nossa experiência, gostaria de deixar alguns conselhos que evitarão que você lute contra os planos divinos:

1. Seja humilde. Ser humilde impedirá que você, de modo orgulhoso, pense que seus planos são sempre os melhores e que desenvolva outros sentimentos pecaminosos como inveja, desilusão ou ira.

2. Esteja disponível. Trata-se de estar pronto, a todo tempo, para ser usado por Deus mesmo nas áreas mais inesperadas e até inicialmente indesejadas.

3. Aproveite oportunidades. Visto não termos acesso a profetas (“verdadeiros”) para saber quais os planos exatos do Senhor para nós, aproveitar as oportunidades de servir a Deus que se abrem diante de nós nos ajuda a cumprir tais propósitos, os quais certamente se desenrolarão daí para frente, seja aonde for.

4. Seja obediente. Os planos de Deus não são cumpridos quando desobedecemos à sua Palavra, nem seus padrões de justiça, ordem, santidade, testemunho, amor, paciência, perseverança e sujeição.

5. Seja paciente. Deus não apenas determinou o que vamos fazer para ele, mas também “quando” vamos fazê-lo. Nesse sentido, a Bíblia dá exemplos de pessoas que foram separadas para certos propósitos, mas que passaram por um demorado período no qual Deus trabalhou com eles e os preparou, como Abraão, Moisés, Davi e Paulo. A paciência, além de ser uma ferramenta nas mãos do Senhor a fim de lapidar o caráter, impede que tentemos “arrombar a porta” dos planos de Deus em vez de aguardar que ela se abra no momento certo.

6. Tenha contentamento. Significa que, independente de que planos Deus tenha, ou o tempo que ele escolheu para eles, você se contenta com os presentes propósitos do Senhor e com o fato de ter sido redimido pela fé em Cristo. Crentes que se contentam com sua posição nos propósitos divinos geralmente sabem bem o que significa a frase “a minha graça te basta” (2Co 12.9).

“Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Ef 5.17).

Pr. Thomas Tronco
Igreja Batista Redenção - SP

(Recebido por email no Grupo Arca Batista Brasileira (ABB), em 15/07/16).

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