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"Deus não salva"

Venda de indulgências. A salvação na prateleira do mercado da fé.
Igreja Católica na Idade Média.
Tito 1:7-13:
"Por ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento, nem ávido por lucro desonesto.
É preciso, porém, que ele seja hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio
e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela.
Pois há muitos insubordinados, que não passam de faladores e enganadores, especialmente os do grupo da circuncisão.
É necessário que eles sejam silenciados, pois estão arruinando famílias inteiras, ensinando coisas que não devem, e tudo por ganância.
Um dos seus próprios profetas chegou a dizer: "Cretenses, sempre mentirosos, feras malignas, glutões preguiçosos".
Tal testemunho é verdadeiro. Portanto, repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé"

Este ano estamos usando para fazer o momento devocional aqui em casa o devocional de Charles Spurgeon, disponível no site Voltemos ao Evangelho. Recomendo.
Os de ontem e anteontem falaram muito comigo acerca do cenário evangélico geral - acerca de dois extremos. Temos visto púlpitos usados como picadeiros, com muitas palhaçadas; só que essas não fazem rir, mas, antes, chorar, de vergonha - e às vezes até de raiva. Temos um bom movimento de oposição em nossos dias. Vários pastores, em especial reformados, têm feito uma excelente confrontação das heresias encontradas, de toda sorte. Entrementes, há um problema na outra ponta também: o excesso. 
Há pastores, pregadores, blogueiros e teólogos que criticam tanto, mas tanto, que alguns estão chegando ao ponto de desconstruir a fé do povo, fazendo-os, em alguns casos, quase a descrerem da Bíblia como Palavra de fé, consolo e alimento espiritual. Explico: alguns ficam "atrás dos postes" e ao menor deslise de pregadores neopentecostais constroem verdadeiros tratados teológicos, regados a muito deboche, porém, por vezes, desconstruindo qualquer espiritualidade que alguém possa extrair da Bíblia. E os devocionais de Spurgeon, pela forma com que ele aplica o texto para a vida prática cristã, me fizeram ver o quão maravilhoso é permanecer crendo no que sempre cri e preguei: toda a Palavra de Deus é para você, para gerar fé ao seu coração. Não é exclusivamente para você, não é para colocar você no centro, não é para alisar seu ego, muito pelo contrário, se toda ela é para você, há muita correção envolvida também... e fé não é só para "coisa boas" (do nosso ponto de vista), é para santificação! 
Hoje Spurgeon aplicou Isaías 41 à vida do cristão... maravilha! Mas, se não fosse ele, "Spurgeon", alguém poderia dizer que isso é texto fora do contexto, que aquilo foi só para os judeus, que a intenção foi emocional, etc. Certa vez li na introdução de um livro o escritor dizendo ironicamente que ele nunca acreditou que Deus abriu o Mar Vermelho a não ser para os judeus, para nós isso nada tem a nos falar hoje, isso não implica em nada em nossa vida. Fechei o livro e fechado ele está até hoje. Mas já abri a Bíblia várias vezes nesta mesma passagem, entendendo que há um relato histórico de um povo ali (mesmo que contestado na sua forma por muitos céticos), que ele foi um episódio do povo judeu, porém... que ele não está ali em vão, que revela Deus, Seu caráter e Seu modo de agir - que não muda! Esse princípio espiritual eu devo retirar dali. 
Um exemplo clássico de exageros nas críticas é a forma como lidam com a atitude correta de denunciar o "evangelho" da prosperidade. Terrível, carnal e satânico. Contudo, apesar de tais abusos antibíblicos, condenáveis, a Bíblia deixa claro que Deus é um Deus provedor. Que Deus não desampara e chega ao ponto até de, se isso estiver dentro de Seus planos, realizar alguns desejos do nosso coração. Deus multiplica aquilo que damos como oferta do coração. Deus abençoa materialmente também, e... isso não é o anátema! Anátema é explorar isso, mas a existência dessa verdade não é e não pode ser negada. Não podemos fazer comércio disso, mas não podemos negar! Alguns desavisados que ouvem tais críticas exageradas podem até ficar com medo de se achegar a Deus pedindo socorro, pois com Deus só podemos falar de salvação - é o que parece na prédica de alguns. Fazer comércio das bênçãos é condenável, mas não comedir as palavras deixando de pensar nos que vão ouvir a refutação à heresia (focando só nos que estão errados), é falta de prudência para um pastor ou qualquer que se preste a pregar a Palavra de Deus, na minha opinião. É preciso equilíbrio. Por equilíbrio não estou falando de cair no outro extremo, o blá, blá, blá de que "não podemos criticar", "não toque no ungido", essas bobeiras... estou falando de equilíbrio mesmo.
O exagero de muitos desses opositores é como se condenássemos a igreja católica de vender a salvação, como esta fez no passado, mas, ao mesmo tempo, dizer que "Deus não salva", só para provar que o outro está errado. É chocante! Foi o título escolhido para esta postagem, exatamente para fazer com que alguém parasse e prestasse a atenção nessas coisas!
O equilíbrio é: devemos nos levantar contra as heresias, muitos precisam ser silenciados - em todas as épocas -, porém, trazendo um ensino completo da Escritura em nosso cotidiano de prédica e prática e não só criticar. É preciso cuidar dos que ouvem! Alguns opositores parecem roubar a fé e gelar o coração das pessoas. São arrogantes, donos na verdade. Pergunto-me se querem pregar Cristo mesmo ou apenas ter o prazer de especificar no que os outros estão errados. São ótimos para refutar, mas esquecem de edificar as ovelhas (e não sua opinião e teologia).
Ah, e antes que me digam que eu usei o texto acima fora do contexto, por favor, façam o mesmo com Spurgeon!

Sola Gratia!

Venda de bênçãos. A vida nesta terra regalada pela ilusão comercializada por
"igrejas" dos nossos dias. Produtos diferentes, a mesma prateleira da fé.

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