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Cliente ou filho?


Caros amigos leitores do blog, compartilho com vocês uma matéria que saiu n'O Jornal Batista do dia 10/01/2016, Ed. 02/2016, com assunto extremamente relevante para os dias sofríveis que a igreja vive atualmente:

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O movimento evangélico é tão divorciado das Escrituras que as aberrações ditas nas chamadas “Igrejas” são absurdas. Esse movimento tem fomentado uma alienação enorme nas pessoas. Parece que a capacidade de pensar e raciocinar das pessoas é desligada nas reuniões ao adentrarem a determinadas comunidades. O senso crítico parecer bloquear frente à quantidade de heresias e ensinos distantes das doutrinas cristãs. Alguns cultos parecem mais encenação teatral, apresentação folclórica ou encontros de piadas. É incrível como as pessoas consomem e retroalimentam o cenário evangélico que não provoca modificação no contexto aonde está. 

Vivemos um cenário que facilita a abertura de novas igrejas, e com um mínimo, mínimo mesmo, de recursos e de formação, abre-se uma “nova igreja” com a proposta de ser mais um “ministério”, e logo mais um pequeno império se levanta. As grandes denominações neopentecostais abrem mais e mais “igrejinhas” e as possibilidades no cardápio religioso vai se expandindo. Hoje temos “igrejas” para todo o gosto, ou melhor, ao gosto do freguês. Os pastores já não são mais pastores e sim gerentes, que cuidam dos balancetes financeiros, das entradas financeiras; a igreja se torna apenas um meio para adquirir as benesses materiais, os irmãos são apenas números da casa cheia, e os fiéis são clientes. 

Os evangélicos brasileiros foram contaminados pela concepção de mercado, e isso veio das lideranças neopentecostais, e as atividades da igreja tendem a ser disputas entre os ministérios. A concepção clássica de missões, de expansão do Reino de Deus é sufocada para que a voz do pastor/bispo/apóstolo seja ouvida e que o mesmo diga que nesse ministério Deus está agindo. Ao ouvir essa propaganda da boca do líder, somada aos “testemunhos” sensacionalistas assim como os jornais veiculados na TV e no rádio, formam a ideia de que as pessoas devem sair do ministério que estão e ir onde as coisas estão acontecendo. O líder, pastor/bispo/apóstolo se assemelha mais a um guru espiritual, como aquele que detém uma revelação especial e importante, aproximando-se da visão do sacerdote e não do pastor do Novo Testamento, e esse líder é o que faz a oração forte, que ora e tudo acontece, que sobe no monte e leva os pedidos, que determina, amarra e solta, que desfaz trabalhos espirituais, que tem poder espiritual, e que conhece a forma de falar com Deus e tudo é resolvido. Isso é magia e não poder espiritual. 

As pessoas que veem isso diariamente influenciam a forma das demais pessoas ditas evangélicas de nossas Igrejas. Os fiéis ouvem tanta coisa que aos poucos vão assimilando essa religiosidade de mercado e somado a busca pelo conforto, e se tornam clientes da Igreja. As pessoas erroneamente passam a se relacionar com a Igreja, com as pessoas e com a liderança a partir da lógica do “toma lá, dá cá”. A pessoa vai à Igreja “toma lá” e espera receber as bênçãos materiais de Deus “dá cá”. E essa lógica suga a verdadeira espiritualidade e despreza os ensinos bíblicos. Essas pessoas começam a comparar o pastor com os pregadores midiáticos, o grupo de louvor com o CD que ouve no carro, a estrutura da Igreja local com os mega-templos que passam na TV, e logo emergem as críticas. As crí- ticas não são construtivas e não são para melhorar e não revelam amor. Revelam cobrança pura. Criticam e nada fazem, agem como clientes que exigem um produto e querem respostas imediatas.

É triste ver pessoas trocando o Evangelho por esses modismos. A Bíblia diz que mesmo se um “Anjo vindo do céu vos pregue outro Evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8). Nesse cenário evangélico há de tudo menos Evangelho. Eles distorceram e pregam qualquer conteúdo, menos o verdadeiro Evangelho. E esse evangelho de facilidades que retira o sofrimento, que valoriza mais o aqui e agora em detrimento da eternidade fomenta clientes de sérvios religiosos, e não discípulos e seguidores de Jesus, que renunciam tudo e seguem o Mestre. 

A Bíblia diz que aqueles que creem e recebem a Jesus recebem “O poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que creem no seu nome” (Jo 1.12). É triste ver pessoas trocando o poder de ser filho pela barganha de ser cliente. O cliente é chato e reclama de tudo, o filho é manso e disposto a ajudar. O cliente exige melhorias, o filho se envolve para melhorar. O cliente cobra resultados, o filho celebra os frutos. O cliente é autoritário, o filho é submisso. O cliente se acha no direito de cobrar, o filho recebe tudo com gratidão. O cliente murmura do atendimento, o filho busca servir melhor. O cliente cobra horários e novas programações, o filho se esforça para fazer mais e melhor. O cliente é instável, o filho permanece por amor. 

O cliente não tem compromisso, ele só consome, já o filho é engajado e desfruta do que planta na comunidade local. O cliente troca o privilégio da primogenitura por um prato de lentilhas, assim como alguns evangé- licos trocam o privilégio de serem chamados filhos de Deus para ser cliente. Não barganhe, seja filho! Sejamos filhos obedientes. Que Deus nos ajude a servirmos mais e melhor a Sua Igreja e a Sua Obra para o louvor da Sua Glória.

Jeferson Cristianini, 
pastor, colaborador de OJB

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