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Os Puritanos

Por João Oliveira Ramos Neto

Em 1534, na Inglaterra, o rei Henrique VIII promulgou um documento que foi chamado de Ato de Supremacia. Com isso, os ingleses romperam definitivamente com a Igreja Católica. Começava a Igreja Anglicana. Porém, foi no reinado da sua filha, Elizabeth I, que a nova doutrina foi estabelecida definitivamente. O que ela fez? É que, no período do reinado dela, a Inglaterra estava dividida. Uma parte da população queria continuar católica, enquanto outra parte queria adotar as novas ideias da Reforma Protestante. Então ela teve uma ideia brilhante! Ela fez com que a Igreja Anglicana ficasse em cima do muro. Ela manteve a liturgia católica para que o povo que queria continuar católico não visse nenhuma diferença quando fosse ao culto domingo. E ela adotou uma teologia protestante, para que a burguesia e outros membros da elite ficassem satisfeitos com as mudanças. Com isso, Elizabeth I conseguiu agradar uma grande parte da população e estabilizar seu reinado.

O problema é que uma pequena minoria ficou insatisfeita com a jogada da rainha. Essa minoria não queria uma igreja que ficasse em cima do muro. Então eles começaram um movimento que queria purificar a Igreja Anglicana. Eles queriam que a Igreja da Inglaterra deixasse todas as práticas da Igreja Católica e ficasse totalmente pura. Por isso, eles foram chamados de puritanos. Nesse período, houve um grande conflito de interesses entre os puritanos e os reis que sucessederam a rainha Elizabeth I. Por isso, muitos desses puritanos foram embora para a colônia da América, que viria a se constituir no atual Estados Unidos.

O grupo de puritanos era muito diversificado. Alguns, por exemplo, acreditavam que a igreja deveria adotar o calvinismo como teologia e ser administrada por um pequeno grupo de anciãos, o presbitério. Daí, por exemplo, surgiu a Igreja Presbiteriana. Outro grupo de puritanos defendia que a igreja deveria ser administrada por toda a congregação, mas defendiam que as crianças deveriam ser batizadas quando nascessem. Daí surgiu, por exemplo, a Igreja Congregacional. Então, surgiu um grupo que acreditava que a igreja deveria ser administrada por toda a congregação, mas que somente adultos deveriam ser batizados. Surgiram os batistas! Mas o grupo ficou dividido. Por um lado, havia aqueles que queriam uma teologia calvinista. Estes foram chamados de batistas particulares, e eram a grande maioria de puritanos batistas. Os demais não aceitavam a teoloria de Calvino e preferiam a teologia de Armínio. Estes foram chamados de batistas gerais.

A diferença entre os calvinistas (batistas particulares) e os arminianos (batistas gerais) era sobre a salvação. Para os calvinistas, antes da fundação do mundo, Deus havia escolhido um grupo de pessoas que seriam salvas. Essa doutrina se chama doutrina da predestinação. Por outro lado, para os arminianos, cada pessoa escolhe o caminho que quer seguir, isto é, elas têm livre-arbítrio.

Em 1609, dois ingleses, John Smyth e Thomas Helwys, haviam fugido para a Holanda, onde organizaram a Primeira Igreja Batista de Amsterdã. Depois da morte de Smyth, Helwys voltou para Londres, e em 1612 organizou a Primeira Igreja Batista em Spitalfields. Depois, no contexto de perseguição aos puritanos, também surgiram outras igrejas batistas. Por isso, em 1689 eles se reuniram e escreveram a sua Confissão de Fé. Trata-se do primeiro e mais importante documento da Igreja Batista enquanto uma denominação devidamente instituída.

Nesse período, também é importante destacar o surgimento da figura de John Bunyan. Ele era um pastor batista com pouca instrução e sofreu muita perseguição por causa de sua fé. Quando esteve preso, escreveu uma obra prima da literatura chamada O Peregrino. Esse livro foi traduzido para dezenas de idiomas ao redor do mundo por causa da sua importância espiritual e literária. E outro destaque é o pastor Roger Williams. Também por causa da perseguição, ele fugiu para os Estados Unidos e em 1639 organizou a Primeira Igreja Batista em Providence, que se tornou a primeira igreja batista dos Estados Unidos. Hoje, as igrejas batistas norte-americanas somam aproximadamente 50 milhões de pessoas e concentram a maioria dos batistas do mundo.

João Oliveira Ramos Neto
Bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, bacharel em
Teologia pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro, mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorando em História pela Universidade Federal de Goiás

Conheça um pouco da História da Igreja: Os Cristãos Antes Dos Batistas

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