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Os Cristãos Antes Dos Batistas

Por João Oliveira Ramos Neto

Os batistas surgiram aproximadamente um milênio e meio depois dos primeiros cristãos. Por isso, para estudarmos a nossa história, precisamos saber o que aconteceu entre o término da narrativa do livro de Atos e o século XVII. Para isso, a seguir, apresentaremos um breve esboço dos principais eventos.


Imperador Constantino
A Igreja Primitiva foi severamente perseguida pelos romanos e muitos cristãos morreram nos dois primeiros séculos. A situação mudou quando Constantino tornou-se imperador no ano 306 e converteu-se ao cristianismo em 312, depois de ter tido um sonho na véspera de uma importante batalha. Três ações suas foram fundamentais para definir o que mais tarde se tornaria a Igreja Católica. A primeira foi a promulgação do Edito de Milão em 313, colocando fim às perseguições aos cristãos. A segunda foi a convocação do Concílio de Niceia em 325, que deu origem ao primeiro credo doutrinário. A terceira foi transformar antigos templos pagãos em templos cristãos. A igreja institucionalizou-se. Começou uma época chamada de Patrística, que contempla o período entre os séculos IV e VII.

A Patrística refere-se aos pais da Igreja, padres teólogos que receberam este nome por terem sistematizado toda a base que apoia os católicos até hoje. Um deles, por exemplo, foi São Jerônimo, que traduziu a Bíblia para o Latim, chamando sua versão de Vulgata. Também surgiram ordens eclesiásticas que deram origem aos mosteiros. São Bento de Núrsia, por exemplo, criou uma regra importante que até hoje é a base dos beneditinos. Também devemos destacar Gregório Magno, importante papa do período, que foi autor dos sete pecados capitais e também do estilo de música conhecido como canto gregoriano.

Depois da Patrística, foi a vez da Escolástica, um método aristotélico de ensino praticado nas então criadas universidades. Também foi a época das batalhas chamadas de cruzadas, para tentar tirar Jerusalém das mãos dos muçulmanos. Alguns eventos do período, no entanto, merecem maior destaque. Um deles, por exemplo, foi o cisma que aconteceu no século XI, de onde surgiu a Igreja Ortodoxa. Nessa época, já havia acontecido tantas mudanças que a Igreja Católica estava corrompida do ponto de vista espiritual. Por isso, muitos movimentos questionadores começaram acontecer a partir do século XII.

Pedro Valdo
Um importante inconformado daquela época foi São Francisco de Assis, que criou a Ordem dos Frades Menores, conhecidos como franciscanos. Um de seus objetivos foi resgatar a pureza do Evangelho contra os luxos da Igreja. Outros reformadores, ao contrário de São Francisco de Assis, questionaram a autoridade papal e recusaram-se obedecê-lo. Por isso, eles foram chamados de heréticos. As duas principais heresias da época foram os cátaros e os valdenses. A imagem ao lado é de Pedro Valdo, fundador desta última. Para combatê-las, a Igreja Católica criou a Inquisição, processo judicial que ficou famoso por queimar seus réus na fogueira. A insatisfação da população em geral aumentou consideravelmente nos séculos XIV e XV, preparando o caminho para a Reforma Protestante do século XVI.

Jonh Wycliffe
No século XIV, por exemplo, surgiu a pregação de Jonh Wycliffe (imagem ao lado), que era professor de Oxford. Ele defendia que a Bíblia deveria ser disponibilizada para todas as pessoas e que ela, e não o papa, deveria ter autoridade sobre os cristãos. Ele treinou alguns evangelistas para decorarem passagens bíblicas inteiras e sairem pregando pela Inglaterra. O nome desses viajantes era lolardos. Já no século XV, surgiu Jan Huss, que era professor da Universidade de Praga. Além de ideias semelhantes com as pregações de Wycliffe, ele denunciava a corrupção dos padres e outros problemas. Por causa disso, Wycliffe e Huss foram considerados heréticos. Muitos inconformados morreram ao longo de vários séculos, mas ainda que seus corpos fossem calados, suas ideias permaneciam e preparavam o caminho para o surgimento de Martinho Lutero que, no século XVI, causariam um cisma definitivo: A Reforma Protestante.

João Oliveira Ramos Neto
Bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, bacharel em
Teologia pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro, mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorando em História pela Universidade Federal de Goiás

Conheça um pouco da História da Igreja: O Surgimento dos Batistas

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