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O Surgimento Dos Batistas

Por João Oliveira Ramos Neto

Batismo por imersão
Do primeiro ao décimo quinto século da nossa era, os cristãos viveram diferentes práticas de sua fé. A Igreja teve início logo após a descida do Espírito Santo, conforme narrado em Atos 2. Quatro séculos depois ela estava institucionalizada. Então houve um período chamado de Idade Média, cujo papa, de Roma, mandava em toda cristandade que compunha o território europeu. Nesse período, à medida que as práticas da Igreja se afastavam da Bíblia, muitos cristãos tentataram fazer modificações, mas não conseguiram, e foram vítimas da inquisição. Porém, tudo mudou no século XVI, com a Reforma Protestante.

Logo no começo do século XVI a Igreja Católica intensificou a prática das indulgências. A ideia dessa prática era vender a salvação da alma. Como assim? Vamos explicar! É que eles pregavam que alguns santos do passado praticaram tantas boas obras que criaram um tesouro excedente, que podia ser administrado pelo papa. Então, esse tesouro era colocado à venda. Com isso, muitas pessoas pensaram que podiam comprar o perdão dos seus pecados e obterem a salvação da alma para irem para o Céu depois da morte. Então, em 1517, um monge alemão chamado Martinho Lutero estava estudando a Bíblia e descobriu que a salvação não era alcançada pela prática das boas obras, mas pela fé, como lemos em Efésios 2:8-9. Por isso, ele escreveu 95 teses contestando a venda das indulgências e as pregou na porta da igreja de Wittenberg, que era sua cidade.

O papa, é claro, não gostou da atitude de Lutero e enviou uma carta mandando ele se retratar. O que Lutero fez? Queimou a carta do papa. Lutero, então, rompeu com a Igreja Católica. Esse evento ficou conhecido como Reforma Protestante e foi o início da Igreja Luterana. Mas logo as ideias de Lutero se espalharam pela Europa e outros cristãos começaram a promover reformas em outros países. Na Inglaterra, por exemplo, já havia um descontentamento dos ingleses com a Igreja Católica, porque eles mandavam o dízimo para Roma e o papa usava o dinheiro para ajudar a França a fazer guerra contra eles mesmos. Quando as ideias de Lutero chegaram, tiveram ampla aceitação, principalmente entre os burgueses. Por isso, o rei Henrique VIII também rompeu com a Igreja Católica e a igreja da Inglaterra passou a ser a Igreja Anglicana.

Na Suíça começaram outros movimentos. Um deles foi organizado por João Calvino na cidade de Genebra. Suas ideias deram origem à Igreja Presbiteriana. Em outra cidade, chamada Zurique, houve uma proposta de reforma por parte de um padre chamado Ulrico Zwínglio. Zwínglio também estava descontente com a Igreja Católica e fez algumas modificações com o apoio do conselho da cidade. Só que, em 1525, Conrad Grebel e Félix Manz, dois discípulos de Zwínglio, defenderam que a única forma correta de batismo bíblico era a imersão de adultos e não a aspersão de bebês. Como Zwínglio não concordou, eles romperam e deram origem ao movimento anabatista.

Didaticamente, toda a movimentação do século XVI que compõe a Reforma Protestante pode ser dividida em quatro frentes: A luterana (com Martinho Lutero na Alemanha), a anglicana (com Henrique VIII na Inglaterra), a reformada (com Calvino em Genebra, Zwínglio em Zurique e Knox na Escócia) e a Radical, que inclui os racionalistas, os espiritualistas e os anabatistas. Mas também é importante destacarmos aqui que a reforma em Zurique teve o apoio do conselho da cidade, que era o órgão admininstrativo maior naquela época. Quando os anabatistas romperam com Zwínglio, romperam também com o conselho da cidade. Assim, eles foram os primeiros a organizarem uma igreja autônoma, isto é, separada do Estado. Com isso, os anabatistas estavam criando o grande princípio de separação entre a Igreja e o Estado, que é um princípio batista muito importante.

Depois disso tudo, no século seguinte, um anglicano inglês chamado Joseph Smyth foi para a Holanda porque estava descontente com o autoritarismo do rei Tiago I, da Inglaterra. Chegando lá, ele conheceu alguns anabatistas daquele país. Ele já tinha aprendido com os luteranos que a salvação é somente pela fé. Quando conheceu os anabatistas, ele aprendeu que somentes adultos convertidos deveriam ser batizados por imersão. E como ele tinha fugido da Inglaterra por causa do autoritarismo do rei Tiago I, ele queria uma igreja que fosse democrática. Por isso, em 1609 ele começou a primeira igreja batista do mundo, em Amsterdã. Era uma comunidade de cristãos que acreditava que a salvação era pela fé, que deveriam ser batizados por imersão depois da conversão e que deveria ser administrada de forma democrática pela própria congregação, e não de forma autoritária pelos bispos, e separada do Estado. Por isso que a maior parte da Igreja Batista, principalmente a inglesa, não é episcopal, ou seja, não tem bispo. Cada igreja local tem autonomia para tomar suas decisões e o Estado também não pode interferir em tais decisões. E é por isso que as decisões que cada comunidade local toma não são impostas autoritariamente pelo pastor, mas decididas em uma assembleia.

João Oliveira Ramos Neto
Bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, bacharel em
Teologia pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro, mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorando em História pela Universidade Federal de Goiás

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