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A Reforma da Igreja - Parte II

Por Franklin Ferreira


Se ainda não leu a primeira parte, clique neste link.

2. A "reforma radical"
Houve quatro tipos de anabatistas: os racionalistas, que enfatizavam a razão (rejeitando doutrinas como a Trindade, as doutrinas ortodoxas da pessoa de Cristo, salvação pela graça etc.), escatológicos e espiritualistas, que enfatizavam uma iluminação espiritual mais importante que as Escrituras (liderados por João Matthys e João de Leyden, que estiveram envolvidos em uma sucessão de acontecimentos desastrosos, os quais culminaram na destruição da cidade de Münster, na Alemanha, de 1532 a 1536) e os evangélicos, que enfatizavam a autoridade das Escrituras e o discipulado (os menonitas são os herdeiros diretos deste grupo).

Em 1523, os anabatistas começaram a se opor a Ulrich Zuínglio, por causa do batismo infantil, que era praticado por ele. Em 1525, Conrado Grebel e Jorge Blaurock foram rebatizados em Zurique. A principal ênfase do movimento anabatista era ter uma igreja só de regenerados, tendo como sinal o batismo só de crentes. Em 1536, Menno Simons reuniu-se aos anabatistas pacifistas da Holanda, liderados por Obbe e Dirk Philips, dando início ao movimento anabatista evangélico. Além de confessarem o Credo dos Apóstolos, suas doutrinas principais eram o batismo de adultos por aspersão (necessário para a salvação), a ênfase na regeneração como obra do Espírito Santo (mais do que na justificação, que às vezes era confundida com a regeneração), a igreja composta de crentes regenerados, sujeitos à disciplina eclesiástica que visava levá-los a ser discípulos e a separação radical entre Igreja e Estado – inclusive da cultura. 

3. Reflexões
a) Segundo o teólogo reformado Karl Barth (1886-1968), luteranos e reformados enfatizaram quatro doutrinas principais: a autoridade e suficiência das Escrituras, o pecado original (nossa miséria diante de Deus), a justificação pela graça mediante a fé e a eleição livre e soberana de Deus (a prioridade de Deus na salvação). Do outro lado, os anabatistas evangélicos enfatizaram a igreja local composta só de regenerados e a separação de Igreja e Estado. Os três grupos enfatizaram a doutrina do sacerdócio de todos os crentes. Os luteranos e reformados enfatizando mais o aspecto da salvação (não precisamos de mediadores, Cristo é nosso único mediador!) e os anabatistas o aspecto eclesiástico (todos os crentes têm uma tarefa a desempenhar na Igreja). Estas doutrinas são a base da fé evangélica! Precisamos voltar a pregar e ensinar essas doutrinas, pois são elas que nos tornam evangélicos!

b) A Reforma seguiu seu curso de forma poderosa. Quem foram os reformadores? Eles não eram homens livres de falhas, muito pelo contrário! Às vezes estas eram mais evidentes que suas qualidades! Mas Barth, ao entender que o verdadeiro legado deles residia em sua percepção da livre graça de Deus em Cristo, que alcança o homem em seu estado de rebelião, morte e idolatria, afirmou a respeito de Lutero (mas se aplicando a todos eles!): "Que mais foi Lutero, além de um professor da Igreja Cristã que não se pode celebrar de outra maneira senão ouvindo-o?" Para aqueles que querem se aprofundar no estudo da teologia dos reformadores, recomendaria as Obras selecionadas de Martinho Lutero, em sete volumes (publicados pelas editoras Concórdia e Sinodal). Cada volume traz uma breve introdução e um pequeno comentário dos textos contidos na obra. Recomendaria também o Livro de Concórdia, uma coletânea das principais confissões de fé luteranas do período da Reforma (também publicada pelas editoras Concórdia e Sinodal). Sobre João Calvino, recomendaria As Institutas da Religião Cristã – um resumo (publicado pela PES). Vários de seus comentários estão saindo em português. Já foram publicados Salmos (em dois volumes), Daniel (em um volume), Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, As Pastorais e Hebreus (publicados pela editora Parácletos). A Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg, importantes documentos reformados do mesmo período, foram publicados pela editora Cultura Cristã. 

c) Como disse o historiador batista Timothy George, nós faríamos "bem em ouvir novamente a mensagem desses cristãos corajosos que desafiaram imperadores e papas, reis e câmaras municipais, porque suas consciências estavam cativas à Palavra de Deus. Seu evangelho da graça livre do Deus todo-poderoso, o Senhor Deus dos Exércitos, conforme o grande hino de Lutero o expressa, e seu destaque à centralidade a ao caráter infalível de Jesus Cristo permanecem em acentuado contraste com as teologias enfraquecidas e demasiado transcendentais que dominam o cenário atual." Jerônimo, um dos pais da Igreja, disse certa vez que, quando lia as cartas do apóstolo Paulo, podia ouvir trovões. Os mesmos trovões também ecoam nos escritos dos reformadores.

Franklin Ferreira
Ministro da Convenção Batista Brasileira
Doutor em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, onde leciona Teologia Sistemática

Saiba mais sobre a Reforma: Quem Eram Os Anabatistas?

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