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A Identidade Sexual Neurobiogenética e o Conceito de Identidade de Gênero - Anotações (Lourenço Stelio Rega)



A cada dia que passa tem sido reforçado o conceito de que é necessário diferenciar entre o determinismo biológico sexual da identidade de gênero ou sexual psicológica.

Para a compreensão do tema vamos iniciar com uma abordagem teleológica da vida em que cada coisa existe com finalidades específicas. Assim, partindo da natureza mais essencial do ser humano que é a sua vida biogenética, que dá suporte para tudo o mais, é necessário compreender que a definição do ser humano do ponto de vista biológico e cromossômico diferencia homem e mulher, de modo que o genoma masculino é = XY e o genoma feminino é = XX. Neste sentido, ao longo da vida continuamos diferentes, como homem e mulher, da mesma forma como nascemos. A mulher produz estrógenos e progesterona, por conta disso, ovula, nascendo com número limitado de óvulos que vão sair de seus ovários ao longo de certo limite de idade de sua vida. Por sua vez, o homem produz testosterona, sendo capaz de produzir espermatozoides aos milhões ao longo de praticamente toda a sua vida. Assim, do ponto de vista biogenético, homem e mulher possuem características específicas e são diferentes. Nasceram para ser diferentes, para cumprir papéis diferentes na vida. Nem por isso são biogeneticamente superiores ou inferiores. É a partir desta visão biogenética que se constrói a sexualidade num ser uno numa junção biofísica e psíquica.É interessante que há coincidência destes fundamentos biogenéticos com a narrativa bíblica da criação em que temos essa forma binária da natureza humana se constituir – homem e mulher com suas características próprias.

É possível ainda considerar o tema do ponto de vista funcional, neste caso, a natureza fornece elementos constitutivos que demonstram diferenciação entre homem e mulher na anatomia, fisiologia, biologia, bioquímica, histologia, comportamento, etc.

Além disso, a neurofisiologia nos ensina que os cérebros masculino e feminino apresentam diferenças anatômicas e funcionais que a ciência está começando a identificar e entender com mais detalhes. Para ilustrar, é possível citar o funcionamento do hipotálamo que é diferente na mulher e no homem. Enquanto que o hipotálamo feminino regula um ciclo de produção hormonal pela hipófise levando a alternância de ciclos de produção de hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo estimulante (FSH), que por sua vez levarão os ovários da mulher a produzir ciclos de estrógeno e progesterona que resultam na ovulação e menstruação, o mesmo não ocorre no homem que vive em continua monotonia hipotalâmica, hormonal e comportamental, no que se refere ao ciclo reprodutivo. Assim o ser humano macho está sempre preparado e disposto para a atividade reprodutiva, enquanto a mulher obedece a um ciclo, inconscientemente controlado pelo cérebro.

É necessário ainda citar que a ciência não possui estudos comprovados que demonstrem alguma alteração morfofuncional cerebral naqueles que dizem ter tendência ou comportamento homossexual. Em palavra simples, seus cérebros e constituição genética são normais, como de qualquer outra pessoa.

O que se pretende atualmente é legitimar o conceito de que a identidade psicológica de gênero é diferente da identidade neurogenética do indivíduo, portanto, se o desejo do indivíduo é não aceitar a sua condição e determinação neurobiogenética, tem ele o direito de escolher o que melhor for para si em termos de gênero. O que se defende com a legitimação da homossexualidade é que a pessoa não necessita se submeter a este estabelecimento e determinação neurobiogenética.

Defende-se também a compreensão em termos culturais e antropológicos, afirmando a dinâmica e evolução cultural de modo a gerar a diferença entre a matriz neurobiogenética sexual e a concepção de gênero que o indivíduo pode escolher, de modo que nem sempre a morfologia sexual poderá coincidir com a identidade de gênero desejado pelo indivíduo, defendendo-se assim a diferença entre o sexo físico e o gênero sexual ou sexo psíquico.

Entendo que estas abordagens, tanto a da escolha individual, quanto a cultural e antropológica são provenientes da legitimação do núcleo da Pós-modernidade em que a fonte de verdade está no indivíduo e sua subjetividade, isto é, não há mais necessidade do indivíduo buscar legitimação de seus atos fora de si (heteronomia), mas ele próprio tem o direito de fazer suas escolhas a partir do que entende, sente ou acha que seja o melhor para sua vida (autonomia). Assim, escolher gênero sexual (sexo psíquico) diferente de sua morfologia sexual (sexo neurobiogenético) passou a ser justificável e legitimado. Recentemente li um artigo escrito por Leandro Colling intitulado “Desnaturalização da heterossexualidade” que procura defender a tese da compulsoriedade cultural da heterossexualidade como se os heterossexuais fossem vítimas da imposição cultural.

O argumento do artigo de Colling deixa de considerar os detalhes científicos, que são até primários em termos de conhecimento, que citamos há pouco, que é a constituição neurobiogenética e a funcionalidade diferencial que se tornam fatores fundantes e identitários da pessoa. O homem tem uma constituição genética e neurológica, entre outras, diferente da mulher e vice-versa, como já citado. Então, a identidade de gênero como tem sido defendida acaba sendo um recurso artificial que é utilizado para se tentar legitimar, pela dinâmica ou evolução cultural, a diferença entre identidade de gênero e sexo neurobiogenético.

Neste caso, a pessoa psicologicamente é uma, e genética e neurologicamente é outra. Metaforicamente falando não seria isso uma espécie de esquizofrenia? Um fissuramento na natureza intrínseca do ser, como se fossem dois seres numa só pessoa, um ser neurobiogenético com uma constituição de natureza e um ser psicológico e culturalmente diferente? A prática tem demonstrado que homoafetivos, nesse tipo de fissuramento, acabam buscando soluções em direção da modificação morfológica de seus corpos (retirada de pênis, construção de mamas, etc.) em busca de solucionar a sua vida cindida.

Por outro lado, quando se busca utilizar razões culturais, acima citadas, dá a impressão de que quem opta pela homoafetividade é superior ao heterossexual por conta de não ter se submetido ao que é considerado determinismo cultural que impõe a heterossexualidade, como se isso dependesse exclusivamente da dinâmica e fluidez cultural. Portanto essa abordagem é um antropologismo ou culturalismo que desconsidera a essência científica humana em termos de sua constituição neurobiogenética. É ainda curioso notar que, mesmo sendo homoafetivos, continuam se chamando de “casal” e, aliás, normalmente neste tipo de “casal” há o que cumpre o papel de macho e o que cumpre o papel de fêmea, mantendo, assim, a concepção matricial heterossexual, dando até a entender que a heterossexualidade seja um arquétipo, uma matriz fundante e constitutiva da essência da humanidade, de modo a deslegitimar a diferenciação da identidade de gênero da identidade neurobiogenética. Em outras palavras, a defesa, nestes termos, da homoafetividade acaba trazendo uma situação que a deslegitima.

Em busca de uma compreensão mais profunda do tema, torna-se necessário considerar a natureza humana como foi constituída em termos neurobiogenéticos que fixa a natureza de cada um, não havendo espaço para se cindir o ser humano em neurobiogenético e psíquico/cultural, com o risco de se germinar graves e profundos distúrbios para a sua vida, para a sociedade e para a história humana.

Portanto, a sexualidade está ligada à nossa natureza neurobiogenética, de modo que a vida não pode desconectar simplesmente o lado neurobiogenético do psíquico para legitimar um referencial cultural, subjetivo e antropológico de modo a concretizar o conceito de que o indivíduo possa ter uma identidade de gênero diferente de sua identidade neurobiogenética.

Se a “normalidade” cultural (no Direito chamada de “consenso gentium”) for tomada como legitimadora das decisões e ações humanas onde vamos chegar? Se amanhã a pedofilia se tornar culturalmente “normal” ou aceitável vamos, então, ter de aceitá-la?
___________________________
Dr. Lourenço Stelio Rega - É bacharel e mestre em Teologia (especialização em Ética) pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, mestre em Educação (História da Educação) e doutor em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi deão da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, onde hoje é diretor geral. Dentre outros, é autor do livro "Libertação e Sexualidade - uma análise".

Fonte: O Jornal Batista - Ano CXIII - Edição 06
www.batistas.com.vc

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(* Isso não quer dizer que eu concorde com o todo da prédica dele, mas, desejo focar no assunto em comento, abordado no programa que teve grande repercussão esta semana nas redes sociais.)

Comentários

  1. Lendro. Abordagem perfeita sobre um tema em que "alguns" insistem em polemizar. Parabéns filho, muito bom. Pai.

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    Respostas
    1. Oi pai. Pois é, acredito que a Igreja fez seu principal papel advertindo publica e enfaticamente o problema da homossexualidade para o ser humano. Agora, é necessário manter sempre a discussão atualizada e esclarecida, já que muitos na sociedade não concordam, mas veem-se retraídos em função da pressão feita pela mídia.
      Os homossexuais já foram largamente esclarecido à luz da fé sobre o terreno em que estão, mas Romani 1 diz que o próprio Deus os entregou às suas paixões, porque, mesmo sabendo do erro, ESCOLHERAM permanecer nele (não se dá o caso de alguém que quer, mas não consegue, isso é outra história e outro tratamento). Agora é papel da Igreja trabalhar com a sociedade em geral, até para que não fiquem cegos em relação aos seus direitos, como o de expressão, por exemplo. Jesus disse que somos o sal da terra e luz do mundo. Precisamos conservar, dar sabor e clarear as idéias erradas que se permeiam na sociedade.
      Claro, qualquer homossexual impenitente, que ora se arrependa e mude, não ficará entregue às suas paixões. E é o desejo de Deus, que todos alcancem a salvação, conforme a própria Palavra. Mas, alguns, infelizmente, preferirão o erro.
      Abs! Filho.

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