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Chegou o segundo turno – e agora? A Hora da Decisão na campanha presidencial 2010


A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio
dos povos. Provérbios 14.34

Quando se multiplicam os justos, o povo se alegra,
quando, porém, domina o perverso, o povo suspira.
Provérbios 29.2



Contrariando as projeções das pesquisas e as expectativas
da candidata Dilma Rousseff as eleições presidenciais
de 2010 foram remetidas ao segundo turno, possivelmente
até para surpresa do candidato José Serra, o segundo
colocado.

Os analistas divergem quanto às causas principais desse
resultado. Inicialmente, falou-se bastante na influência da
intensa campanha movida pela Internet, por evangélicos,
católicos e até espíritas, apontando as posições, do partido
da líder nas pesquisas, em favor do aborto, da defesa ao casamento homossexual e da proi-
bição  a identificar o homossexualismo como o pecado que é. Essas e outras posições moral-
mente condenáveis integram tanto o malfadado projeto lei PLC 122/2006, quanto o execrável
Plano Nacional dos Direitos Humanos, em sua terceira versão. Estes, sob o suposto manto de
oposição à discriminação (atualmente, convicções religiosas estão sendo automaticamente
rotuladas pejorativamente de “preconceito” ou de “discriminação”), procuram impingir formas
de vidas condenáveis pela Palavra de Deus a todas as famílias brasileiras. Devemos lembrar,
também, que o partido da Sra. Dilma suspendeu os direitos partidários de dois dos seus
integrantes por manterem convicções contrárias a essas bandeiras defendidas pelos militantes.

Mais recentemente, a imprensa passou a apontar os casos de corrupção na Casa Civil,
protagonizados pela família de Erenice Guerra, como sendo o principal fator responsável pela
perda de votos da candidata Dilma, frustrando os planos de que a eleição presidencial fosse
decidida no primeiro turno.

Qualquer que tenha sido o fator principal, ou, o que é mais realista, a combinação de fatores, a
verdade é que ganhamos uma prorrogação na qual podemos refletir adicionalmente em nossas responsabilidades como cristãos. Aproveitando essas “horas extras”, não deveríamos
esquecer que:

1. O SENHOR é que governa as nações (Sl 22.8). O Salmo 24.1-2 diz: “Ao SENHOR
pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Fundou-a ele
sobre os mares e sobre as correntes a estabeleceu”. Esse governo inclui a determinação de
quem governa, ou não, conforme lemos em Daniel 2.21: “... é ele quem muda o tempo e as
estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos
inteligentes”. Isso significa que, contrariamente ao que ensinam alguns teólogos contemporâ-
neos, os quais dizem que Deus não interfere nos afazeres dos homens, e até nem teria poder
sobre o futuro, pois este ainda não aconteceu, a Bíblia claramente ensina que a regência sobe-
rana de Deus é uma realidade. Ela é exercida sobre os governantes e nações, independente-
mente do sistema de governo encontrados nelas. Para nós, neste momento, significa que qual-
quer que seja o resultado da eleição, este está debaixo da soberania divina; nada fugiu ao seu
controle. Deus tem os seus propósitos e os cumprirá, com certeza. Nunca há lugar para orgulho
excessivo, nem para desespero.

2. Pessoas recebem de Deus a delegação de governar sobre outros. A fé reformada
reconhece que o governo é dádiva da graça comum de Deus. Qualquer governo é melhor do
que anarquia. No pensamento reformado, o governo é uma conseqüência do pecado, fruto da
benevolência de Deus (não faz parte da “lei natural”, como afirmam os católicos-romanos). Ele
foi especificamente definido a Noé (Gn 9), como representante da humanidade, colocando a
força na mão das autoridades, para punir os malfeitores. Detalhamento adicional, no Novo Testa-
mento, temos em Romanos 13.1-7, onde os governantes são chamados de Ministros de Deus,
para punição do mal e reconhecimento dos que praticam o bem. Essa é uma tremenda respon-
sabilidade para quem governa, pois mostra que o poder não é absoluto nem divorciado das obri-
gações para com os absolutos de Deus. Fala-se muito, hoje em dia, do estado laico, como se
não houvesse qualquer obrigação estatal de observar princípios universais de justiça e equidade,
que procedem de Deus. Enquanto reconhecemos a separação da igreja e do estado, como es-
feras autônomas; devemos reconhecer, também, que ambos prestam contas a Deus. É inadmis-
sível e é condenável o estado que promove e patrocina atos imorais e de injustiça, e os gover-
nantes devem ser relembrados disto.

3. Temos obrigações para com os governantes. A Bíblia é clara quando aponta o caminhar
cristão como o de cidadãos responsáveis e respeitosos das autoridades instituídas.
Atos 26.2-3 e 24-25 registram o respeito que Paulo tinha para com as autoridades governamen-
tais, até para com aquelas que procediam injustamente para com ele (veja também 1 Pedro
2.13-15 e 18). E é ele que escreve em sua primeira carta a Timóteo (2.2) que devemos honrá-
-las e interceder por elas, para que tenhamos uma vida tranqüila (ou seja, para que cumpram a
finalidade para a qual existem: garantir o bem-estar e segurança dos cidadãos). Obediência às
autoridades é, portanto, esperada dos Cristãos e o limite dessa obediência é estabelecido pela
própria Palavra de Deus (Atos 4.19-20 e 5.29). Esse limite é quando o governo procurar legislar
CONTRA o que Deus nos comanda em sua palavra; quando ele procurar estabelecer que o que
é “mal”, o que é “amargo” e “escuro”, é “bem”, “doce” e “luz” (Is. 5.20-21). Nesses casos, então,
“importa obedecer a Deus” e não aos homens. Talvez esse seja um dos grandes testes à igreja
nos anos à frente: os cristãos irão afrouxar e diluir os padrões bíblicos, mediante a pressão e a
legislação governamental, ou manterão a sua identidade e lealdade à Bíblia?

4. Escolher governantes é um grande privilégio. O povo de Deus subsistiu debaixo dos
mais diversos regimes: monarquia, impérios despóticos, regência militar, etc. A obrigação foi
sempre de se manter fiel a Deus, e ao testemunho cristão, e respeitoso para com as autorida-
des, independentemente de como chegaram ao poder. No entanto, indubitavelmente, ter a capa-
cidade de escolher os representantes, como ocorre em uma democracia representativa, é um
grande privilégio. Não devemos desprezar essa bênção e essa liberdade recebida de Deus.
O voto é também uma maneira de expressar convicções e de defender posições que mais se
aproximem das diretrizes divinas. Se a eleição é uma metodologia instituída na Bíblia até para
as questões sagradas, na igreja (Atos 6.1-5; 14.23), não há porque disputar a legitimidade dela
para escolhas de líderes, na esfera governamental.
Considerando todas essas coisas, não devemos ser ingênuos e achar que a candidata Dilma é
do mal, enquanto que o candidato Serra é do bem. Enquanto que as posições partidárias da Sra.
Dilma estão bem explicitadas, e elas claramente contradizem o caminhar cristão; além dos se-
guidos casos de corrupção governamental, aos quais as autoridades têm dado importância mí-
nima; não podemos esquecer que o Sr. Serra tem a infame honra de ser promotor da promiscui-
dade sexual, sob o suposto manto da prevenção do HIV, com as terríveis campanhas, quando
oupava o ministério da saúde.

De um lado, a Sra. Dilma procura convencer a todos de que suas posições com relação ao
aborto mudaram e que ela, agora, é pró-vida. No entanto sua nova argumentação fala do aborto
apenas como sendo “violência à mulher” – nenhuma palavra quanto aos direitos da criança, ou
quanto à santidade da vida. Além disso, fala constantemente do aborto como sendo uma ques-
tão de “saúde pública”, como se fosse comparável a uma estomatite, ou cárie dentária, sem
nenhuma implicação moral. Do outro lado, é possível que as recentes posições conservadoras
do Sr. Serra, sobre essa questão, sejam mais estratégia eleitoral, do que fruto de convicções
éticas profundas(recente pesquisa mostra que 73,5% dos brasileiros são contra o aborto).
Afinal, não podemos esperar muito do antigo líder da UNE que vulgarizou o sexo livre, populari-
zando o “Bráulio”.

Alguém pode dizer: “não há saída – somente anulando o voto”! . Não acredito na promoção do
voto nulo, pois ele deveria somente ser fruto de erro de votação e não de uma ação racional.
Quem tiver fortes convicções de abstenção, resta a alternativa do voto em branco – esse , sim,
é uma expressão de uma decisão consciente. No entanto, deve haver a percepção de que
assim se abdica de um privilégio (mais que um direito) de pontuar uma escolha. Essa raramente
será uma escolha sem qualificações, ou com a expectativa de um governante e um governo
ideal, mas é sempre uma alternativa para barrar um caminho pior à nação (o que o voto em
branco ou nulo não conseguirá).

No entanto, sem a ingenuidade de achar que uma eventual eleição do Sr. Serra venha a repre-
sentar a resolução de todos os problemas e a restauração plena da ética ao governo, vou dar a
ele o meu voto. Farei isso apesar de discordar dele em outras questões não morais, mas
administrativas, como, por exemplo, sua defesa, idêntica à da oponente, de um estado gigante,
paternalista e suas posições contra privatizações, ignorando o benefício dessas no Brasil e no
mundo, mas considero ele o menor dos males, na conjuntura atual. Creio também que ele
chegou à percepção de que os governantes não podem tripudiar impunes às questões morais
universais, impressas por Deus até na consciência dos ímpios (Romanos 2.14-15) e assim trará
um melhor governo ao Brasil. Creio, em adição, que as sandices verbais, que hoje são proferi-
das em aura de impunidade e bajulação, serão melhor controladas. Acredito que, com o Sr.
Serra, teremos uma política externa mais coerente e menos aventureira do que a atual, que
corteja e engrandece déspotas, assassinos e tiranos. Estarei com a esperança de que o Sr.
Serra, se eleito, não apenas lembre a "voz do povo" que o elegeu, sobre essas questões de
moral e ética tão importantes ao bem estar da nossa nação, mas que também a respeite, junta-
mente com seus ministros e equipe. Isto é plausível, pois ele não estará tão amarrado a certas
aberrações de uma plataforma oficial de partido quanto está, de certo, a outra candidata.

Em paralelo, espero manter minhas convicções cristãs, independentemente de quem ganhe,
suplicando que Deus me ajude a, em intercessão, poder expressar as críticas, quando pertinen-
tes, sempre de maneira respeitosa e fiel à Palavra.

Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com/2010/10/chegou-o-segundo-turno-e-agora-hora-da.html

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