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Teologia Ácida


Fico pensativo acerca de muitos teólogos que temos por ai. Suas teologias, seus estudos, sua dedicação são para crítica. Criticam pastores, criticam a formulação teológica de outras pessoas, mas nem sempre os vejo edificando. Sou grato a Deus pela minha formação teológica que Ele me proporcionou, mas não estudei (e estudo) teologia para isso! Embora a crítica faça parte da construção de pensamento e até da formação de uma sociedade, e é necessária para depurar o que se crê e pratica, sobretudo nas igrejas, fico preocupado com os que só criticam. A impressão que se tem é que essas pessoas não teriam o que fazer se alguns pastores (os alvos favoritos deles) deixassem de errar. Ficam numa eterna ideologia de que são os caçadores dos "vendilhões da fé".

Sim, temos tais vendilhões e suas práticas devem ser denunciadas, mas estou falando da dedicação exclusiva para isso e da busca do estudo teológico para ficar atrás de um poste e ao primeiro erro dos outros dar uma paulada nas suas cabeças e idéias (eu estou repetindo para deixar claro para tais críticos, pois os mesmos costumam olhar por cima os textos e criticar através de seus padrões próprios - que são retroalimentados pelos do seu meio). Querem medir as pessoas (pelas suas medidas) e ao primeiro sinalzinho de um milímetro fora dos seus padrões criticam, ficam ácidos. E acham interessante (...). Preocupo-me com tais pessoas. Poderiam usar sua formação para todos os fins do Reino, não apenas a crítica.

Hoje a tarde fui à livraria de um pastor amigo meu comprar o último livro planejado para o ano, fechando o que chamo de minha biblioteca a priori, pois com esta obra conclui os livros que queria este ano, coincidindo com a formação em Teologia (integralização de estudos). Sou grato a Deus pois Ele me deu estes e ainda outros que eu não esperava, superabundando sempre (para os mais críticos: o comentário não é Evangelho da prosperidade, ok). Enquanto o aguardava (gosto de comprar com ele, pois sempre conversarmos um pouco sobre a vida, acerca do Reino de Deus e afins) folheava uma coletânea dos escritos de Lutero e achei mais uma vez fascinante como este reformador e doutor fazia Teologia. Ele debatia idéias, lidava com os que eram contra ele com inteligência e espiritualidade (marca típica de Lutero) e puxava o Cânon como sua fonte de argumentação (isso é fazer teologia!!). Li uma frase dele hoje que me marcou: "será que essas pessoas ainda não perceberam o Espírito como Mestre dos meus textos?" (desculpem-me os críticos, não poderei citar a fonte pois não anotei na hora, isto aqui é um blog, não um tratado; eu nem havia pensado em citar, me veio à mente agora, é uma coletânea de 10 tomos dos escritos originais de Lutero). Fantástico! Fazer teologia tendo o Espírito como Senhor. Ter uma relação pessoal com o Pai, pelo Espírito, graças ao sacrifício salvífico de Cristo e pela PALAVRA, usando a Teologia como ferramental (e que ferramental).

Ademais, é importante também entenderem que Teologia, de maneira sistemática e na metodologia científica, se faz na academia (e olha que Metodologia Científica era uma das minhas matérias favoritas para espanto de alguns colegas). Alguns também fazem Teologia assim nos gabinetes, pois muitos gostam deles. Mas na Igreja e na vida prática, na sociedade, ela (a Teologia) se expressa sim, com verdade - óbvio - mas naturalmente sua apresentação é conforme o contexto e palatável a ele. Interessante que até o Evangelho, segundo o Cânon, deve adaptar-se ao contexto para ser inteligível e recebido (1 Co 9.19-24), mas para alguns teólogos não, as pessoas TÊM que partir dos seus pressuportos e enxergar sob seus óculos, e tudo tem que ser como eles querem e aprenderam. Pouco acadêmico isso (ou nada). Guardo com boas lembranças o que diziam meus professores de grego, hebraico, eclesiologia e homilética, algo mais ou menos assim (idéias lembradas e organizadas): "você não precisa citar o texto no idioma bíblico original numa pregação, as pessoas normalmente não irão entender. Explique o que a palavra usada no original SIGNIFICA e discorra acerca dela para "ensinar, repreender, corrigir e para instruir na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra" (cfme. 2 Tm 3.16)". Alguns acorrentam sua espiritualidade com a escrita, quando deveriam usá-la fartamente como Deus a usou, para edificar vidas, como Ele fez com a Bíblia. Outro exemplo, este secular: já fui a alguns médicos até catedráticos, mas que atendiam os leigos com um linguajar simples, porém resolviam as questões que se apresentaram a eles!

Estou apenas começando, desejando com temor de Deus que Ele possa usar este falho vaso escolhido conforme Seu propósito, que não é baseado em nossas obras. Peço ao Pai que eu aprenda com todas as pessoas, mas que veja muitos andando conforme Jesus andou, ou seja: criticando, quando necessário, mas também ensinando, amando, compreendendo, e obedecendo a Deus, dando testemunho da verdade e vivendo de maneira santa e piedosa para não dar ocasião aos que são contra o Evangelho da Verdade, mesmo porque algumas dessas críticas saem com cada colocação, abordagem e falta de educação (já vi até palavrão!) que espanta, pois são feitas por pessoas que parecem estar advogando em Nome de Deus. Será que é para Ele, ou para suas conclusões e seus ideais cravados no ego, e sobretudo para este? Pense nisso.

Comentários

  1. Olá, Leandro!

    Gostei muito de seu texto, e tomei a liberdade de postá-lo em meu blog - com os devidos créditos, é claro.

    Obrigada, e um abraço,

    Maya

    ResponderExcluir
  2. Leandro,
    Texto excelente. Ando lendo e acompanhando na medida do possível essa discussão toda. E confesso que fico triste, muito triste. Parece-me que a Igreja Brasileira gosta de um "barraco", ou qualquer coisa que não seja a meditação na Verdade. Gostaria de ver o mesmo número de posts/comentários e entusiasmo para falar do Evangelho puro, simples e profundo. Muito profundo.
    Que Deus nos abençoe a viver o que Paulo recomendou a Timóteo... "O objetivo desta instrução é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera. Alguns se desviaram dessas coisas, voltando-se para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas." (1 Tm 1.5-7)
    Abraço,
    Sacha

    ResponderExcluir
  3. Olá Maya,

    Que bom que gostou do texto, ele vem de pensamentos que estão em mim há algum tempo. Vi certos blogs e pessoas no Twitter (que dei unfollow) que era de se lamentar. Qualquer coisa é videozinho na internet para denegrir as pessoas. E uma visita a tais blogs não edifica, deixa nossa alma aturdida, como a dessas pessoas. Criticar é uma coisa, denegrir é outra. Jesus criticou, mas nunca dedicou-se por tempo sem fim, no Seu ministério, a fazer isso. E o Cânon não menciona dom de crítica ácida e azeda perpétua.

    Prazer em conhecê-la, vi a postagem no seu blog, ficou legal, valeu!

    Abraço!

    Leandro

    ResponderExcluir
  4. Alô Sacha,

    Obrigado pelo comentário. Como disse à Maya, de fato o caso é este, tenho visto também pessoas dedicando talento e conhecimento apenas ao cinismo humano, às obras da carne com camuflagem apologética. Achei o versículo citado excelente!!! Define biblicamente e é bem claro.

    Valeu o contato!

    Abraço,

    Leandro

    ResponderExcluir
  5. Finalmente alguém conseguiu traduzir em palavras tudo que eu penso, mas nunca me atrevi colocar no papel (ou na internet, rs). Onde foi parar nossa espiritualidade? Em alguns ambientes (seminários, internet) parece até errado ser contrito e teólogo ao mesmo tempo. É por isso que sempre digo que estou em desintoxicação!!! Quero ser teóloga e ao mesmo tempo vaso de Deus, feito para edificação!!! Obrigada por ler esse desabafo! Paz!

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